 |
 |
RELATÓRIO FINAL
|
|
Projeto de Desenvolvimento de metodologia para cálculo comparativo das
emissões de gases do efeito estufa (GEE) entre os processos de construção de
piscinas em fibra de vidro (P.R.F.V.) e piscinas de concreto.
|
 |
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Instituto do Meio Ambiente
Centro de Excelência em Pesquisa sobre Armazenamento de Carbono
|
 |
Coordenador: Prof Dr. Jorge Alberto Villwock (IMA)
Prof. João Marcelo Ketzer (CEPAC)
Eduardo Bandeira Maia (CEPAC)
|
 |
| Porto Alegre, 28 de Novembro de 2007 |
 |
 |
1. INTRODUÇÃO
|
Sabe-se hoje que os gases de efeito estufa (GEE), principalmente o
dióxido de carbono (CO2), são os principais responsáveis pela retenção do
calor e manutenção da temperatura da superfície da terra.
As emissões de GEE gerados pelo homem resultam no aquecimento
"anormal" da atmosfera, (IPCC, 2007) causando no planeta as mudanças no
clima global.
Por meio de relatórios, o IPCC (sigla em inglês do Painel
Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU), vem alertando ao
mundo as causas e conseqüências das atividades humanas sobre o clima do
planeta.
Há, atualmente, a correta compreensão da relação causa-efeito
envolvida no aquecimento global, e, assim, ações de mitigação estão sendo
cada vez mais disseminadas e implementadas, seja pela esfera pública
(governos, estados e até municípios), empresarial e civil, no intuito de reduzir
seu impacto no aumento da concentração de GEE na atmosfera.
As empresas estão buscando reduzir suas emissões a partir de
mudanças em suas atividades, seja diretamente, através do conhecimento das
fontes, por um inventario de emissões, e assim criar um portfólio de ações
mitigadoras (que compreendem a adoção de processos e materiais mais
eficientes e menos emissores), quanto indiretamente, ao fomentar a redução
das emissões de outras esferas ou pela compensação de emissões a partir de
práticas comuns de seqüestro de carbono (ex. plantio de árvores).
A opinião publica está cada vez mais sensível às questões relacionadas
à mudança do clima, e muitas empresas que vêm adotando medidas de
controle e diminuição das emissões de GEE, atualmente, têm obtido vantagem
competitiva em mercados cada vez mais exigentes por produtos ecológicos e
de baixa emissão de CO2.
|
 |
 |
2. OBJETIVO
|
Este projeto tem como objetivo principal a aplicação da metodologia
para cálculo da quantidade de GEE emitidos nos processos de fabricação e
construção de uma piscina de 4 metros por 8 metros em plástico reforçado com
fibra de vidro (P.R.F.V.), da empresa iGUi, e comparar com as emissões de
GEE do método tradicional de construção de piscinas, em concreto.
|
 |
 |
3. METODOLOGIA
|
Para este estudo foi utilizada a metodologia do GHG Protocol Iniciative
(www.ghgprotocol.org) na organização dos dados, métodos de contabilidade e
parâmetros de divulgação.
As ferramentas de cálculo de emissões utilizadas pelo GHG Protocol
são compatíveis com os padrões do ISO 14064 ,(Organização Internacional
para a Padronização), e seguem os propósitos criados pelo IPCC.
Os fatores de conversão utilizados foram pesquisados em diversos
estudos, e são citadas as fontes junto ao fator utilizado e na relação
bibliografica utilizada.
A quantidade de gases do efeito estufa é expressa em dióxido de
carbono, CO2, os demais gases causadores do efeito estufa (metano (CH4),
oxido nitroso (N2O), hidrofluorcarbonos (HFCs), perfluorcarbonos (PFCs) e o
hexafluoreto de enxofre (SF6)) são convertidos em CO2 equivalente ( CO2e) e
incorporados à contabilidade do fator.
As emissões de GEE foram contabilizadas por meio da divisão em três
escopos, estabelecidos pelo GHG Protocol:
Escopo 1: Emissões diretas de GEE
São as emissões diretamente controladas pela empresa em sua
localização. Sendo, principalmente, o resultado das seguintes atividades:
geração de energia; calor ou vapor; processos químicos e físicos; transporte e
emissões fugitivas.
Escopo 2: Emissões indiretas de GEE
São contabilizadas as emissões oriundas da compra de energia elétrica
que é consumida em seus equipamentos próprios ou controlados pela
empresa.
Escopo 3: Emissões indiretas de GEE
Este escopo é considerado pelo GHG Protocol como opcional. Trata-se
da contabilização das emissões geradas pela produção e transporte de matéria
prima, uso do produto, atividades contratadas, veículos contratados, transporte
de funcionários, disposição de resíduos e viagens de negócios dos
empregados.
A contabilidade do Escopo 3 pode gerar uma regressão quase infinita se
for adotado para cada material a análise de ciclo de vida. É aconselhado pelo
GHG Protocol que seja feita uma pré-análise para que sejam focadas de duas
a três atividades que sejam as principais geradoras de emissões de GEE.
|
 |
 |
4. LIMITE DO PROJETO
|
Este projeto tem como limite de interesse a produção/fabricação e instalação
de uma piscina em P.R.F.V. (Plástico Reforçado com Fibra de Vidro) da
empresa iGUi (Fabrica Santo Antônio Indústria de Piscinas Ltda.) e a
construção de uma piscina em concreto armado, ambas com tamanhos
similares.
As contabilizações das emissões relacionadas aos demais setores que
conjugam a atividade da empresa iGUi (projeto, marketing, vendas, pós-
vendas) não foram contabilizados.
Este trabalho tem como foco a comparação de dois métodos construtivos de
um mesmo aparato civil, a piscina.
|
 |
 |
5. RESULTADOS DO PROJETO
|
5.1. Piscina iGUi em P.R.F.V.
|
5.1.1. Memorial descritivo do processo de fabricação
|
 |
O processo de fabricação de uma piscina em P.R.F.V. (Plástico Reforçado com
Fibra de Vidro) na fábrica da iGUi, Santo Antônio Indústria de Piscinas Ltda. é
um processo relativamente simples, como mostra o diagrama abaixo.
|
 |
 |
Recebimento / Estocagem da matéria prima
O primeiro processo da fabricação consiste no recebimento da matéria-prima e
em recipientes tipo bombonas e latões, transportados pelas empresas
fornecedoras do produto (Tabela 1). Em seguida, o material é acondicionado
em um galpão anexo à fábrica, posteriormente deslocado para a área de
produção, por um trator da empresa, nas quantidades necessárias para a
manufatura diária.
Tabela 1 – Matérias primas usadas no processo de fabricação e seus
respectivos fornecedores.
|
 |
 |
Preparação e mistura das resinas
Nesta etapa do processo, são feitas as misturas para a elaboração do GELCOAT
e da resina para laminação. Para a elaboração do GEL-COAT, é feita a
mistura dos materiais (Tabela 2), por meio de um misturador elétrico,
diretamente na bombona original da resina.
Tabela 2 – Quantificação e proporção dos materiais para o GEL-COAT.
|
 |
 |
O processo para a elaboração da resina poliéster ortoftálica para laminação é
similar ao processo de elaboração do GEL-COAT, alterando somente a
composição da mistura (Tabela 3).
Tabela 3 – Quantificação e proporção dos materiais para a resina poliéster
ortoftalica.
|
 |
 |
Nos dois processos são adicionados 2% de catalizador Meck.
|
 |
Aplicação do GEL-COAT
Durante o processo de aplicação do GEL-COAT, o molde da piscina é
posicionado em local específico para a segurança da aplicação. A composição
do GEL-COAT está descrita na Tabela 2. É feita uma aplicação de uma
camada de aproximadamente 6 mm, e em seguida a forma é colocada para a
secagem natural.
|
Aplicação da fibra de vidro, resina e estrutura de madeira
Após a secagem do GEL-COAT, o molde da piscina é posicionado na área de
aplicação da fibra, sob o equipamento de aplicação conjunta (pistola picadora
de fibra de vidro e aplicador de resina poliéster).
Durante o processo de aplicação da fibra de vidro e da resina poliéster, é
colocado em posição a estrutura de madeira e aplicado sobre ela a mistura de
fibra de vidro e resina poliéster, criando uma camada de aproximadamente 4
mm de espessura no fundo da piscina e com cerca de 10mm de espessura na
lateral e na borda.
No final da aplicação, o molde é deixado para uma cura rápida antes do
desmolde.
|
Desmolde
Após a secagem primária da mistura de fibra de vidro e resina poliester, o
molde é suspenso por talhas dentro de uma estrutura especializada. Logo após
é injetado ar comprimido em locais pré-estabelecidos, para que ocorra a
descolagem da piscina da forma.
Na forma é aplicado o desmoldante SK3, em uma quantidade que varia de
200g a 500g. Para cada vez que o desmoldante é aplicado na forma, são
produzidas cerca de 30 piscinas.
|
Acabamento
Durante este processo, os funcionários realizam o corte das aparas e bordas,
dando à piscina seu formato final.
|
Cura
O processo final de fabricação da piscina consiste na cura ao natural, por
aproximadamente 2 dias. A piscina é transportada por trator até ao pátio
externo da fábrica, onde irá permanecer até o momento do transporte para a
venda.
|
|
5.1.2. Memorial descritivo do processo de instalação
|
 |
Para a instalação da piscina na casa do cliente, são necessárias entre 4 a 8
pessoas, não havendo necessidade de emprego de maquinário para a
escavação. Em seguida é feita a preparação do solo com a colocação de um
“colchão” de areia, no fundo, de aproximadamente 10 cm.
As emissões do processo de instalação da piscina em P.R.F.V. não foram
contabilizadas, por se equipararem ao processo inicial de construção da piscina
de concreto, que também não foram contabilizados.
|
|
5.1.3. Identificação dos escopos
|
 |
Para a contabilidade das emissões de GEE provenientes da fabricação e
instalação da piscina em P.R.F.V., o processo foi separado por escopos, de acordo com a metodologia adotada.
Escopo 1 – Emissões diretas da fábrica
|
- Queima de combustível (diesel) - para utilização do trator.
- Queima de combustível (GLP) - para a cocção das refeições dos funcionários.
|
|
Escopo 2 – Emissões indiretas pela compra de eletricidade
|
- Consumo de energia elétrica da fábrica em KW/h.
|
|
Escopo 3 – Emissões indiretas - transporte e aquisição de matéria prima
|
- Emissões da mineração, fabricação e transporte da fibra de vidro.
- Emissões da fabricação e transporte da resina poliéster.
- Emissões do transporte dos funcionários da fábrica.
- Emissões do transporte da piscina até o cliente.
|
|
5.1.4. Cálculos e tabelas
|
 |
Escopo 1
Queima de combustível (diesel).
Para a movimentação das fôrmas e das piscinas é utilizado um pequeno trator
movido a diesel, que também é utilizado para cortar a grama e transporte de
materiais e resíduos.
Para efeito de cálculo foi feita uma média do consumo de combustível,
multiplicada pelo fator de emissão do diesel (tabela 4).
Queima de combustível (GLP).
O GLP é utilizado para a cocção das refeições dos funcionários. São utilizados
cerca de 13 Kg de GLP por mês para esta finalidade (Tabela 4).
Tabela 4 – Combustíveis, quantidades, fatores de emissão, quantidade de CO2
emitido e quantidade de CO2 emitido por piscina.
|
 |
 |
Escopo 2
O consumo médio de energia elétrica da fábrica foi obtido pela média entre os
meses de maior e menor consumo (Tabela 5).
Tabela 5 – Consumo de energia elétrica por mês, fator de emissão para o
Sul/Suldeste, quantidade de CO2e e quantidade de CO2e por piscina.
|
 |
 |
Escopo 3
Emissões da mineração, fabricação e transporte da fibra de vidro.
Para a realização do cálculo de emissões associadas à mineração (dióxido de
silício), transporte do minério até à indústria, e o processamento do minério até
à sua transformação em fibra de vidro, foi utilizado um fator de emissão
publicado pelo Instituto Wallon de desenvolvimento econômico e social no
artigo “Greenhouse gas emissions reduction and material flows – Housing
system analysis – Part II – Processes description”, de Janeiro de 2001. Apesar
de o fator ser definido dentro dos padrões europeus, os processos de
fabricação europeus não diferem do processos brasileiros, a não ser pelo fator
de emissão relacionado ao consumo de energia elétrica, que neste caso, o
Brasil, por possuir uma matriz energética mais limpa que a européia, e portanto
emite menos GEE pelo mesmo consumo de energia elétrica.
Por se tratar de uma extrapolação positiva da quantidade de CO2, a utilização
do fator europeu não prejudica o resultado do trabalho. Uma vez que o
resultado do cálculo mostrá uma quantidade maior emissões que o real
emitido.
Para finalizar a quantificação de GEE na fibra de vidro, foi adicionado ao fator
de emissão da mineração e produção, a emissão relativa ao transporte final do
produto, da empresa produtora (Vetrotex, em Capivari, SP) até à unidade
Santo Antônio Indústria de Piscinas Ltda em Santo Antônio da Patrulha, RS
(Tabela 6).
Tabela 6 – Emissões de CO2 da produção e transporte da fibra de vidro.
|
 |
 |
Emissões da fabricação e transporte da resina poliéster
Pela falta de literatura especifica sobre as estimativas de emissão para a
produção de resina poliéster, entramos em contato com a empresa
CROMITEC, do grupo BRAMPAC, que fornece as resinas à empresa iGUi,
para o fornecimento de informações que possibilitem a estimativa de emissão
de GEE relativa à produção de resina poliéster.
Os dados fornecidos pela Cromitec, sobre o consumo de combustíveis e
energia elétrica, bem como a produção de resina, foram organizados de modo
a fornecer as emissões relativas aos escopos 1 e 2, obtendo assim o fator de
emissão de CO2 por kg de resina (Tabela 7).
Para completar o cálculo, foi somado ao fator de emissão da produção da
resina as emissões provenientes do transporte do material da fabrica
CROMITEC, em Piracicaba, SP, até a fábrica da iGUi, em Santo Antonio da Patrulha (Tabela 7).
|
 |
|
Tabela 7- Emissões de CO2 da fabricação e transporte da resina poliéster.
Fontes: * CEPAC, ** Guia Quatro rodas, *** GHG Protocol
|
 |
Emissões do transporte dos funcionários da fabrica.
Foi identificado que o transporte dos funcionários de suas residências até a
unidade Santo Antônio Indústria de Piscinas Ltda poderia ser um fator
importante de emissões relacionados à produção da piscina, visto que as
emissões dos escopos 1 e 2 são baixas e os dois produtos que compreendem
mais de 90% da composição do produto estão contabilizados acima.
A tabela 8 mostra o resumo do transporte dos funcionários:
Tabela 8 – Km percorridos pelos funcionários e suas emissões de CO2.
|
 |
 |
Emissões do transporte da piscina até o cliente
Foi realizada uma estimativa de distância média entre as principais cidades
atendidas pela unidade Santo Antônio Indústria de Piscinas Ltda. (Anexo 2) e a
cidade de Santo Antônio da Patrulha.
A distância média entre cliente e fornecedor ficou em 300 km, sendo que o
caminhão que faz o transporte percorre o caminho duas vezes (ida e volta) e
pode levar de 1 a 10 piscinas por viagem.
O calculo será baseado na distância de 600 km divido por 5 piscinas, ficando o
equivalente a 120 km por piscina (Tabela 9).
Tabela 9 – Emissões de CO2 pelo transporte final por piscina.
|
 |
 |
Tabela 10 – Total de emissões de CO2 do Escopo 3.
|
 |
 |
|
5.1.5. Resumo das emissões da Piscina iGUi em P.R.F.V.
|
 |
De acordo com a somatória dos escopos (Tabela 11), obtivemos o total de
emissões de GEE relacionados à produção da piscina, aproximadamente 223
Kg de CO2.
Tabela 11 – Total de emissões de CO2 por piscina.
|
 |
 |
|
 |
5.2. Piscina iGUi em P.R.F.V.
|
5.2.1. Memorial descritivo do processo de fabricação
|
 |
Para a realização do cálculo comparativo, foi adotado um projeto padrão de
piscina (anexo 1) utilizando as mesmas medidas da piscina em P.R.F.V.: 4
metros de largura por 8 metros de comprimento.
O processo de construção de uma piscina em concreto armado é “in loco”, para
a comparação das emissões de GEE, a construção foi considerada como um
processo de fabricação, sendo o local da obra equivalente ao local da
fabricação (empresa).
Existem diversos modos distintos de realizar a construção em concreto de uma
piscina, desde o uso ou não de maquinário para escavação, formas em
madeira ou outros materiais e mistura do concreto, até a quantidade de
pessoas envolvidas na obra.
Os passos básicos para a execução de uma piscina em concreto armado são:
- Sondagem do terreno
- Escavação do terreno
- Colocação do gabarito
- Execução da forma externa
- Montagem da armadura
- Colocação de dispositivos e tubulações
- Montagem da forma interna
- Concretagem
- Impermeabilização
- Teste de vazamentos
- Aterro e compactação do solo
- Revestimento interno
- Revestimento externo
Para o cálculo das emissões relativas à construção da piscina em concreto
armado, serão levados em conta somente os fatores de maior proporção de
emissões, como mostra o item de identificação dos escopos.
|
 |
|
5.2.2. Identificação dos escopos
|
 |
|
Escopo 1 – Emissões diretas do canteiro de obra
|
 - Não há emissões diretas de GEE do canteiro de obra, uma vez que há
energia elétrica da rede para a movimentação do maquinário, não
havendo necessidade da utilização de geradores a diesel.
|
|
Escopo 2 – Emissões indiretas pela compra de energia elétrica
|
 - Consumo de energia elétrica do canteiro em KW/h.
|
|
Escopo 3 – Emissões indiretas pela compra de matérias de construção e
transporte dos operários
|
 - Emissões da fabricação e transporte do cimento
 - Emissões da fabricação e transporte de aço
 - Emissões da mineração e transporte de areia e brita
 - Emissões do transporte de operários
|
 |
|
5.2.3. Cálculos e tabelas
|
 |
Escopo 1
Não há emissões diretas do canteiro de obras que sejam significativas.
Escopo 2
Para a execução da obra de construção de uma piscina em concreto armado
de 32 m2 é estimado um tempo de 2 meses, com um consumo médio mensal
de 450 Kwh, chegando a um total de 900 Kwh (Tabela12).
Tabela 12 - Consumo de energia elétrica, fator de emissão para o Sul/Suldeste,
quantidade de CO2.
|
 |
 |
Escopo 3
Os cálculos das emissões oriundas das matérias-primas principais, foram
realizados por meio de fatores de emissão (tabela 13).
Tabela 13 – Fatores de emissão da construção civil.
|
 |
 |
Na Tabela 9 são apresentados valores do estudo realizado por Stachera, 2006
que levam em conta as emissões provenientes da mineração, transporte do
minério até à indústria, emissões relacionadas diretamente ao processamento
da matéria bruta até virar matéria prima de construção e seu transporte até o
estabelecimento comercial.
A Tabela 14 mostra a quantidade de emissões relacionadas às quantidades
dos principais materiais utilizados para a construção da piscina.
Tabela 14 – Quantidade de materiais, fatores de emissão de CO2 e quantidade
de CO2 emitido.
|
 |
 |
|
5.2.4. Resumo das emissões da piscina em concreto armado
|
 |
De acordo com a somatória dos escopos (Tabela 15), obtivemos o total de
emissões de GEE relacionados à produção da piscina em concreto armado,
aproximadamente 9.131,2 Kg de CO2.
Tabela 15 – Total de CO2 emitido na construção de uma piscina de
concreto.
|
 |
 |
|
 |
 |
6. CONCLUSÕES
|
A análise final dos resultados mostra uma grande diferença entre as emissões
de GEE relacionadas ao processo de construção da piscina de P.R.F.V. e da
piscina em concreto armado.
De acordo com este estudo, a piscina em P.R.F.V. emite durante o seu
processo de construção, cerca 223 kg de CO2; já a piscina construída em
concreto armado emite em seu processo de construção, cerca de 7.290,2 kg
de CO2. Ou seja, a piscina em concreto emite cerca de 32 vezes mais CO2 que
a piscina de P.R.F.V. em seu processo construtivo.
|
 |
 |
7. INCERTEZAS ASSOCIADAS
|
Para garantir a qualidade das informações do inventario de emissões de GEE,
importantes considerações relacionadas às incertezas nas estimativas e
cálculo acompanham este relatório.
Incerteza nas estimativas: As informações das quantidades dos insumos,
combustíveis e trajetos utilizados nas estimativas para o calculo da piscina da
iGUi em P.R.F.V., foram fornecidos pelo técnico geral Sr. Irto Angeli de Souza,
utilizando uma média aritmética entre os meses de maior consumo e menor
consumo.
Para o cálculo do transporte da piscina até o cliente, foi utilizada a listagem
fornecida pela iGUi, das localidades dos pontos de venda, e assim, elaborado
uma média entre os trajetos percorridos.
As estimativas para a construção da piscina de concreto foram realizadas pela
Divisão de Obras da PUCRS (Anexo 2), utilizando as mesmas medidas da
piscina em P.R.F.V. (4mX8mX1,5m).
Incertezas nos parâmetros: Dentre os fatores utilizados, podemos separá-los
pelas fontes. Os fatores de emissão de CO2 do GHG Protocol são baseados
nos estudos realizados pelo IPCC, que levam em conta os principais fatores
para cálculo e estão em conformidade com as normas da ISO. Estes
parâmetros tem baixo índice de incerteza associado.
O fator de emissão do BEN (Balanco Energetico Nacional) é relacionado com a
forma de obtenção da energia elétrica, especifico para a região Sul e Suldeste
do país, parâmetro com médio índice de incerteza.
O fator de emissão do Wallon Institute é baseado em estudo de caso na
Bélgica, levando em conta os fatores europeus. Devido à similaridade dos
processos industriais de fabricação da fibra de vidro, e a menor emissão do
Kwh no Brasil, o fator de emissão extrapola positivamente a quantidade de
CO2, parâmetro com alto índice de incerteza associado.
Para o cálculo do fator de emissão da resina poliéster, não foi encontrada
literatura que contemplasse as emissões de tal atividade. Assim foi realizada
uma consulta com o Gerente Industrial da Cromitec, Sr. Eduardo Cangussu,
sobre as informações de emissões diretas da fabrica, seu consumo de energia
elétrica e produtividade, onde foram realizados os cálculos para o fator de
emissão de CO2 por kg de resina, parâmetro com alto índice de incerteza
associado.
Os fatores de emissão de CO2 da construção civil foram elaborados por
Stachera em seu estudo: “Avaliação de emissões de CO2 na construção civil:
um estudo de caso da habitação de interesse social no Paraná”, estudo este
que compara outros quatro estudos sobre emissões de CO2 na construção civil,
e elabora um parâmetro médio, parâmetro este com baixo índice de incerteza
associado.
|
 |
 |
8. DIVULGAÇÃO DO TRABALHO
|
A divulgação dos resultados do projeto poderá ser realizada pela iGUi
de forma livre respeitando a integridades dos dados e a forma de divulgação
descrita neste relatório final.
A PUCRS terá o direito de divulgação do projeto e resultado do mesmo,
em congressos, seminários, publicações e mídias existentes, mediante
autorização por escrito da iGUi.
|
 |
 |
9. BIBLIOGRAFIA
|
Olga Mafra, Frida Eidelman e Carlos Feu Alvim, Avaliação das emissões de CO2 pelo
processo “Top-Down” estendido entre 1970 a 2004. Economia & Energia, Ano X -No 58: Outubro-Novembro 2006.
Theodozio Stachera Junior, Avaliação de emissões de CO2 na construção civil: um
estudo de caso da habitação de interesse social no Paraná, Dissertação para obtenção
do grau de Mestre em Tecnologia. Programa de Pós-Graduação em Tecnologia,
Universidade Tecnológica Federal do Paraná. 2006.
The Greenhouse Gas Protocol. The GHG Protocol for Project Accounting, 2003.
www.ghgprotocol.org em 11/2007.
The Greenhouse Gas Protocol. A Corporate Accounting and Reporting Standard,
Revised edition, www.ghgprotocol.org em 11/2007.
The Greenhouse Gas Protocol. Designing a Customized Greenhouse Gas Calculation
Tool, 2006, www.ghgprotocol.org em 11/2007.
The Greenhouse Gas Protocol. GHG Protocol guidance on uncertainty assessment in
GHG inventories and calculating statistical parameter uncertainty,
www.ghgprotocol.org em 11/2007.
World Resources Institute. HOT CLIMATE, COOL COMMERCE: A Service Sector Guide
to Greenhouse Gas Management, 2006, www.ghgprotocol.org em 11/2007.
Institut Wallon de développement économique et social, GREENHOUSE GAS
EMISSIONS REDUCTION AND MATERIAL FLOWS Housing system analysis Part II -
Processes description, 2001.
|
 |
|
 |
 |